Versificação e figuras de linguagem

Anteriormente foi implementado o reconhecimento da quantidade de sílabas poéticas de um verso. Para conseguir isso foi preciso primeiro realizar a separação silábica de cada palavra, depois encontrar as elisões, e então contar a quantidade de sílabas até a última sílaba tônica do verso.

“Elisão: quando em um verso uma palavra terminar por vogal átona e a palavra seguinte começar por vogal ou H (que não tem som, portanto não é fonema, mas uma simples letra) unem-se as duas sílabas numa só.” [5]

Porém algumas palavras ainda se encontram incorretas e precisam que suas regras sejam revistas no algoritmo, um trabalho que o tempo vai trazer. Contudo isso não impede um resultado positivo na escansão do verso.

“Um dos fatores mais importantes ao analisar um poema é a contagem de sílabas poéticas. A essa prática, dá-se o nome de escansão.” [1]

Qualquer palavra encontrada com problema em sua separação pode ser comunicada, e será muito bem vinda sua contribuição para a evolução do sistema. Os ajustes finos vem com o tempo, não há pressa.

A escansão do verso foi a primeira etapa do módulo de versificação do camus, em seguida será feito o reconhecimento de algumas figuras de linguagem. Foram escolhidas três figuras para iniciar esse processo de reconhecimento: a aliteração, a anáfora e a antítese.

Aliteração

“Aliteração é uma figura de linguagem que consiste na repetição de sons de consoantes iguais ou semelhantes. Ocorre geralmente, no início das palavras, que compõem versos ou frases, mas pode estar também no meio ou no fim.” [3]

Com a aliteração se focará na identificação de consoantes e encontros consonantais nas palavras que representem o mesmo som, tendo o mesmo fonema. Ela pertence ao conjunto das figuras de linguagem fonéticas, mas será feita uma análise pelas letras (sozinhas ou acompanhadas) que representem fonemas. Exemplo: as letras S, Z e X tem o mesmo fonema (de /z/) nas palavras: Casa, zero e exame. Enquanto as letras CH e X tem som de /x/ nas palavras: Chaveiro e enxame

Exemplo:

“Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes” [7]

Anáfora

“A anáfora é caracterizada pela repetição de uma ou mais palavras no início de versos, orações ou períodos. Muito utilizada na poesia e na música, a anáfora aumenta a expressividade da mensagem, enfatizando o sentido de termos repetidos consecutivamente.” [4]

Na anáfora será feita uma análise nas palavras ou expressões que se repetem na frase, de forma a seguirem um padrão na sintaxe do verso. Em resumo, palavras que ocorram repetidamente como sendo as primeiras ou últimas de cada verso ou frase.

Exemplo:

“…
E quem me ofende, humilhando, pisando,
Pensando que eu vou aturar…
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida,
Duvida que eu vá revidar…
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
… ” [6]

Antítese

“Consiste na utilização de dois termos que contrastam entre si. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. O contraste que se estabelece serve, essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos envolvidos que não se conseguiria com a exposição isolada dos mesmos.” [2]

Com a antítese será preciso fazer uma análise utilizando o conhecimento de opostos, palavras que são antônimas ou que tenham uma ideia contrária a outra, com isso será feita uma análise com um certo grau de semântica no texto, pois utilizará de informações e conceitos externos da estrutura sintática da frase.

Exemplo:

“Os bares estão cheios de almas tão vazias” [8]

 

Essas três foram as escolhidas para iniciar esse processo, podendo abrir espaço para num momento posterior explorar outras figuras de linguagem com um tratamento semântico mais complexo, tais como o paradoxo e a metáfora.

Referências
[1] http://especialmente.com.br/arte/poesia/escansao/
[2] http://www.soportugues.com.br/secoes/estil/estil5.php
[3] http://www.figuradelinguagem.com/aliteracao/
[4] https://www.normaculta.com.br/anafora/
[5] http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/254742
[6] https://www.letras.mus.br/chico-buarque/45165/
[7] http://brasilescola.uol.com.br/biografia/joao-cruz-sousa.htm
[8] https://www.letras.mus.br/criolo/1857556/

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